Quando os pontos de vendas não tem conteúdo.

Numa loja de chocolates do Iguatemi, pergunto:

– De onde vem o cacau do chocolates de vcs?
– Da Bélgica.

Fiquei quieta.

Depois, no mesmo shopping, numa loja caríssima de perfumes feitos com chás raros, a vendedora não sabia nada sobre Darjeeling.

Deve ser porque todo marketing acha que conteúdo e storytelling são coisas só de redes sociais.

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Eles sabem tudo, mas nem tanto.

É assim. O Google, o Facebook, a Amazon, a Apple e outros nos monitoram 24 horas por dia, seguindo nossos passos e nossa respiração pelo celular ou computador.

Confesso que há um bom tempo tenho medo de fazer qualquer busca porque em breve alguma coisa relacionada aquilo vai me perseguir em forma de anúncio. E, juro, ser perseguido por qualquer coisa não é legal. Ok. Alguns não se importam, mas eu e um monte de gente sim.

Não acho ruim que dados sejam monitorados para a segurança das pessoas e do mundo, mas considero abusiva esse tipo de invasão quando é voltada para publicidade, ainda mais de um jeito burro.

Então, recentemente fiz um exame de rotina e fui pesquisar sobre o procedimento. Logo o Google entendeu que eu estava doente mesmo sem eu estar. Olha, é um sentimento muito desagradável ver anúncios de remédios relacionados a algo ruim, só porque busquei no meu browser mais informações sobre um exame recomendado para milhões de mulheres com mais de 35.

Duvido que os anunciantes do Google gostariam de saber disso. Porque no final, as marcas só perdem quando ficam relacionadas a coisas negativas e sem relevância.

Outro exemplo.  Estava na manicure e busquei para ela no ClickBus o preço de um bilhete para uma cidade do interior de Minas que nunca ouvi falar. Quando encerrei a cotação e, claro, não comprei o bilhete, veio um e-mail: o que deu errado com sua compra?

Caramba!! Eu não queria comprar nada. A pesquisa sequer era para mim.

Penso que estamos numa era em o uso dos dados por essas empresas ainda é muito tosco e repleto de interpretações erradas. Estamos na pré-história de uma inteligência artificial que se desenha.

Não quero dizer com isso que sou contra anunciar no Google, nem no Facebook, mas muitas vezes fico em dúvida sobre o contexto onde os anúncios podem aparecer. Não existe nenhuma segurança para o anunciante (nem para o consumidor) quanto a isso.

Obs. Depois que este texto foi compartilhado no Twitter, o passarinho me indicou na timeline o seguinte artigo que, aliás, achei bem relevante: http://cio.com.br/tecnologia/2017/02/10/assistente-de-privacidade-para-android-impede-coleta-indevida-de-dados/

A rede social dos teens.

Faz um bom tempinho que o Musical.ly virou a febre entre a garotada.

Abri uma conta para acompanhar os vídeos da minha filha (10), que não passa um dia sem postar nada.

Mal acabou de publicar e já pede para eu dar like.  Ok, sou mãe coruja e até tento acompanhar tudo.

É impressionante como mexe no comportamento. Outro dia, no final de um filme no cinema, tocou uma música do Justin Timberlake que é um hit no Musical.ly. Quando vejo, minha filha escaptura-de-tela-2017-01-28-as-19-20-07tava fazendo uma coreografia de gestos.

Só que ela não estava na frente do celular, mas numa sala escura, cheia de gente. Foi quase automático, já incorporou.

Mas não é só para fazer caras e bocas que o Musically serve.

Semana passada ela começou a fazer filminhos de stop motion com recortes de desenhos. O resultado ficou lindo. Digno de like.

Os usuários do Musical.ly representam, filmam, dirigem, editam e estão criando uma nova linguagem em termos de redes sociais.

Eles não querem saber de Facebook. Muito lento e sem graça. O lance é criar vídeos, engajar, se divertir e inspirar amigos. Sem espaço para mimimi.

Pode-se dizer que é a rede social dos pré-adolescentes e adolescentes. Ou, também, de quem não saiu dessa fase que, segundo o Leminski, pode ir até os setenta.

quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta adolescência

vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito

então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência.

(paulo leminski)

 

5 estrelinhas para o Local Guides.

O Google nunca teve uma veia de social digna de nota. Sempre foi mais racional, mais engenheiro e suas plataformas não são exatamente a miss simpatia. Google não quer saber o que você está pensando ou sentindo. Ele quer saber o que você está buscando.

Busca está no DNA do Google.

Nesse sentido, acredito que ele criou um produto “social” promissor: o Local Guides, que funciona como um programa que traz pontos para quem colabora na plataforma do Google Maps.

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É assim: você dá notas para os estabelecimentos (de 1 a 5 estrelas), faz comentários, responde questões, adiciona locais, publica fotos e compartilha o que achou de um determinado lugar no Google Maps.

Assim, quando alguém busca algum lugar lá no Google, encontra não apenas nome, website, horário de funcionamento, mas também notas e comentários. Tudo isso feito de forma colaborativa.

Em se tratando de Google, imagine a força que isso tem.

Penso que essas contribuições dos usuários tem potencial para virar algo muito poderoso, já que expressam opiniões de usuários e consumidores de verdade.

O Local Guides faz muito bem aquilo que outros já tentaram, inclusive o Yelp e o Foursquare.

É um mundo em que as ferramentas de social começam a ajudar ainda mais nas decisões do consumidor, não apenas com um post passageiro, mas uma nota e um comentário que estarão fixados na maior plataforma de buscas do mundo.

A plataforma usa uma estratégia de “gamification” para incentivar a colaboração. Para mim, por exemplo, falta pouco para chegar no nível 3, mas se tivesse que dar uma nota para o Local Guides já seria 5 estrelinhas.

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O mais divertido é ver que o Local Guides está no Twitter e tem uma fanpage no Facebook. Não, não tem assim muitos seguidores, mas imagino que seja contra a natureza do Google investir em mídia nos concorrentes, né? = )

Já conhece a Li.st?

Li.st é uma nova rede social em que as postagens são em formato de listas. Sim listas, não listras. O slogan é ótimo e diz tudo: Li.st. Not for groceries. As listas podem ser desde as coisas mais legais que você comeu na semana até os 5 melhores apps que você conhece.

Vale tudo que for listável, divertido e interessante.

A rede social ainda é nova. E, pra variar, estou sozinha por lá. (rs)

Meu perfil tem foco em comida, um assunto que adoro e considero inesgotável.

Como as empresas poderão usar? Simples, criando conteúdos relevantes e criativos que caibam em listas. Exemplo. Uma marca de chocolates pode criar uma lista dos chocólatras mais famosos do mundo. Ou uma lista com os mais importantes produtores de cacau. E por aí afora.

O Li.st foi criado para mobile e permite fazer listas com ou sem imagens. Como não é uma rede essencialmente imagética, o texto e o conteúdo tem grande peso na conquista de audiência.

Quer ver minha lista sobre “Sabores memoráveis da feirinha Aizomê Ichiba”? Clica aqui.

O que ando fazendo…

Este blog já passou por várias fases desde que nasceu, mas o objetivo nunca mudou: ser um rascunho do que penso e um espaço para compartilhar algum conhecimento de comunicação. Às vezes, tudo fica quieto por aqui. Porque estou concentrada em meu trabalho, na minha vida pessoal e em outras atividades.

Recentemente, estive muito ocupada com projetos grandes e muitos legais para duas startups (Empodera.Vc e Sapiens) e para a Anjos do Brasil. Para as startups fiz a redação dos websites, dos e-mails das réguas de relacionamento e das apresentações em keynote. Para a Anjos, fiz o plano de conteúdo de social media e a redação para o novo website que vai entrar no ar em breve, com design de um parceiro incrível, a Aretha. Ao mesmo tempo, continuei envolvida com a Curaprox, para quem desenvolvo conteúdos e faço gestão das redes sociais há 3 anos (um case de sucesso que adoro).

Agora estou também fazendo mentoria para uma startup voltada para educação com base em Portugal, o Autonômicos, que tem como co-fundadores  o William Gama e a Karla Fabro.

Como também desenho, pretendo consolidar ainda mais essa atividade com a criação de um portfólio online em breve.

Enfim, é isso. Estou sempre fazendo coisas interessantes que nem parecem trabalho. Quando sobra tempo, escrevo aqui também.

 

As fotos de 1 dólar e o Instagram.

Li hoje uma dica para empreendedores de pequenas empresas que desejam abrir sozinhos um perfil no Instagram: “Se possível, contrate um banco de imagens – alguns oferecem fotos profissionais  por cerca de 1 dólar cada foto.”

Se isso já passou na sua cabeça, posso dizer seguramente: não, não faça isso!

Quem em sã consciência quer ver no seu feed aquelas fotos de mala-direta? Aquelas fotos com originalidade zero?

Jamais subestime seus seguidores. Eles sabem identificar uma foto de banco de imagem, mesmo quando não conseguem explicar isso tecnicamente.

Instagram é uma plataforma em que a imagem precisa contar alguma história e convencer que o instante é real. Além de bonita, precisa ser verdadeira.

Se você não sabe produzir fotos bacanas ou não tem que o faça, ou ainda não tem verba para um fotógrafo, avalie se essa plataforma faz mesmo sentido para sua marca. Talvez seja melhor esperar um pouco mais para usá-la ou partir para outra.

Veja também se o seu produto é sexy e tem apelo visual suficiente para estar no Instagram.

Muitos conseguem bons resultados na produção de imagens mesmo sem nunca terem fotografado profissionalmente, mas apenas seguindo o próprio senso estético, estudando o básico de luz, composição e fotografia.

É comum ver profissionais de moda, chefs de restaurantes e donos de outros estabelecimentos que, intuitivamente, descobrem a linguagem da plataforma e da própria marca.

Com o tempo, eles sentem o que funciona ou não. E fazem uma produção digna de muitos likes.

Dá trabalho? Sim. Exatamente como tudo que faz sucesso.