A rede social das coisas.

A campainha tocou e sem eu abrir a porta ele entrou. A campainha foi apenas um aviso. Um sinal que mais alguém se juntou a mim naquela tarde de verão. O acesso foi permitido um dia antes. Acesso restrito à minha sala de estar.

Meu amigo estava vestido com uma roupa meio maluca, meio David Bowie. Reconheci o Michel por causa de seu ID.

Essa é a parte mais divertida. Pessoas podem ser o que quiserem no meu espaço de realidade aumentada. É quase como um encontro real, com direito a doses de ficção.

A sala é para todos.

A cozinha é para quem curte comida, obviamente.

O quarto é para acessos mais íntimos.

Na lavanderia não acontece nada. Acho que ninguém se diverte lavando roupa, né?

Pessoas entram e saem da casa.

Deixam mensagens num livro em branco.

Ouvem minhas músicas.

Veem meus seriados favoritos comigo em tempo real.

Compartilham trechos de livros.

Batem papo.

Deixam estímulos na minha rede neural.

Fazem parte da minha ficção particular.

A TV foi comprada por U$ 0,99 e a assinatura dos canais custa algo como U$ 2 mês. O sofá é italiano e baixei com um código promocional. O design da minha casa é lindo e tem a minha cara. O quadro da entrada fui eu que pintei. A casa é imensa e construí com recursos que antigamente se assemelhavam ao MineCraft. É aqui que recebo amigos, conhecidos e estranhos. É aqui que todos podem manter contato e acompanhar minha vida.

Na “rede social das coisas”, podemos viver em um pequeno apartamento e estar numa mansão ao mesmo tempo. A construção é nossa.

Antes de sair, meu amigo registrou uma reação, algo próximo a um like lembrando o jurássico Facebook. Meu amigo é vintage. É alguém que viveu nos tempos em que as pessoas ficavam olhando para uma tela a fim de acompanhar o que os outros estavam pensando, falando, comentando.

Foi embora sem dizer tchau. Fechou a porta e cinco minutos depois mandou chocolates de presente para mim.

Pena que a tecnologia é tão atrasada e não consigo sentir o gosto desse 85% feito no Havaí.

Melhor tirar meus óculos e voltar ao mundo real porque ainda existem razões para isso.

@lilmiquela a estrela misteriosa do Instagram.

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Já segue no Instagram a Lil Miquela? Ela é uma versão da banda Gorillaz em social media com 268 mil seguidores. Uma simulação digital que não se sabe obra de quem (pode ser marketing ou arte – ou as duas coisas que normalmente andam grudadas). Existe desde 2016 e recentemente lançou um single no Spotify. O objetivo é ser intrigante. @lilmiquela também usa Facebook, Twitter e Tumblr.  Não a encontrei no Linkedin, não. Acho que ela não está a fim de network e tem pavor de headhunters.

#plandid. Quem nunca?

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Segundo o @mashable#plandid é o novo termo trendy do Instagram. Descreve aquelas fotos em que a pessoa foi flagrada posando sem estar posando. Tipo “oh, nem percebi que estava sendo fotograda”. A palavra é uma soma de planned e candid. E o desenho tão plandid é meu! Enfim, algo novo (e nem tão novo) no mundinho social. =)

Meus tantos perfis no Instagram. Talvez algum interesse a você =)

Uma das minha plataformas favoritas de social é o Instagram, seja para trabalhar marcas, seja para meus projetos pessoais. Faz tempo isso. Talvez porque sou muito ligada a fotografia e imagens. Talvez porque a considero a rede social mais “redonda” em suas funcionalidades.

Desde o começo acreditei no potencial do Instagram. Tanto que, há uns 3 anos, um cliente pensou em desistir do Instagram (imagina isso), mas o convenci a dar continuidade. Hoje é uma de suas principais plataformas, inclusive com engajamento superior ao do Facebook.

Tenho diversos perfis que são divididos em temas, com conteúdos diferentes para cada um. São inclusive um tipo de lab para entender mais sobre a plataforma.

Compartilho com vocês alguns desses perfis, os mais legais na minha opinião.

O mais antigo é o pessoal: @ligiakempfer, que alimento com conteúdos cotidianos. O público; amigos, conhecidos, curiosos e gente que segue para ser seguido de volta (rs).

Tem também o @pequenagourmet, que é voltado para “family food” e as experiências de comida com minha filha. Ela é uma prova de que podemos, sim, ensinar nossos filhos a comer direito e com prazer desde pequenos. O volume de seguidores não é grande (cerca de 1.200), mas a qualidade dos seguidores é absurda (isso é raro). Formadores de opinião e pessoas que compreendem o conceito do perfil. O público: fãs de comida boa de verdade e quem gosta de comer bem.

Outro é o @fomedelivre, onde publico livros que acho bacanas (queria me dedicar mais a esse, mas não rola tempo para tudo). Minha biblioteca em casa ultrapassa os 1.500 livros e não canso de visitar livrarias. O que me salva é o Kindle, já que o espaço começou a virar um problema. O público: quem ama ler.

Existe um mais recente que é especificamente sobre um tema que estou estudando agora e me dedicando bastante: chocolates de origem. é @ligia.kempfer. Talvez eu mude o nome, mas por enquanto é assim. O público: pessoas apaixonadas por chocolates de qualidade.

O @kinngcreativeoffice é onde trago exploro tudo que alimenta meu trabalho com conteúdo. É sobre social media, social maps, branding, design, zeitgeist, clientes, parceiros de projetos e multi-thinking. O público: amigos da área, clientes, estudantes e quem busca um outro olhar sobre comunicação.

Se a criação de conteúdos funciona diferente em cada plataforma, isso vale para os temas de um perfil. São sutilezas que aprendemos com a prática e podem ser consideradas na execução de um perfil de marca.

Muito a aprender com Kim.

É impressionante como algumas personalidades tem um dom quase natural (sem contar doses infinitas de obsessão) para dominar o mundo midiático e as redes sociais. Os profissionais de comunicação só tem a aprender com elas e, assim, avaliar o que serve, ou não, para seu trabalho. Como o pessoal da #Ogilvy não é bobo, já fez um resumão sobre os princípios da selfie com base no livro The Kim Kardashian Principlede Jeetendr Sehde sobre Kim Kardashian.

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Busquei o livro na Amazon (best seller no New York Times, claro) e a resenha dá uma ideia clara sobre o fenômeno, neste caso o livro, não a Kim.

THE INSTANT NEW YORK TIMES BESTSELLER

How do social media stars generate such obsession – even more than the Hollywood A-list? And what can they teach us about making our own ideas, products and services break through? The world’s leading authority on celebrity branding, Jeetendr Sehdev, tackles these questions head on.

Sehdev shows why successful images today – the most famous being Kim Kardashian – are not photoshopped to perfection, but flawed, vulnerable, and in-your-face. This total transparency generates a level of authenticity with audiences that traditional marketing tactics just can’t touch.

The Kim Kardashian Principle reveals the people, products and brands that do it best – from YouTube sensations like Pew Die Pie to taxi-hailing app Uber – and proves why the old strategies aren’t working. After all, in a world where a big booty can break the internet, self-obsession is a must-have. No posturing, no apologies, and no shying away from the spotlight.

The Kim Kardashian Principle is a fresh, provocative and eye-opening guide to understanding why only the boldest and baddest ideas will survive – and how to make sure yours is one of them.

Comprei o livro no Kindle para fazer uma leitura isenta, curiosa, sem preconceito. Porque ler também é parte do meu trabalho =)

Como anda seu site?

Descobri há poucos dias uma ferramenta valiosa para avaliar a força de um website: website.grader.com

É muito legal, posso afirmar.

Criada pelo HubSpot, a ferramenta aponta os pontos fracos e fortes do site, recomendando ao final soluções.

O meu website (que eu mesma fiz, sozinha, no Squarespace) teve uma avaliação excelente. Claro, eu me senti o máximo. rs

Você também pode fazer a avaliação do seu site. E ter critérios sólidos para mudar ou manter o que funciona bem.

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Bom, agora só é preciso melhorar um pouco o desempenho. Então, que tal dar uma força e fazer uma visitinha ao meu site? =)

E se precisar de alguém para fazer conteúdo e redação do seu site, já sabe: são minhas especialidades.

 

Quando os pontos de vendas não tem conteúdo.

Numa loja de chocolates do Iguatemi, pergunto:

– De onde vem o cacau do chocolates de vcs?
– Da Bélgica.

Fiquei quieta.

Depois, no mesmo shopping, numa loja caríssima de perfumes feitos com chás raros, a vendedora não sabia nada sobre Darjeeling.

Deve ser porque todo marketing acha que conteúdo e storytelling são coisas só de redes sociais.

Eles sabem tudo, mas nem tanto.

É assim. O Google, o Facebook, a Amazon, a Apple e outros nos monitoram 24 horas por dia, seguindo nossos passos e nossa respiração pelo celular ou computador.

Confesso que há um bom tempo tenho medo de fazer qualquer busca porque em breve alguma coisa relacionada aquilo vai me perseguir em forma de anúncio. E, juro, ser perseguido por qualquer coisa não é legal. Ok. Alguns não se importam, mas eu e um monte de gente sim.

Não acho ruim que dados sejam monitorados para a segurança das pessoas e do mundo, mas considero abusiva esse tipo de invasão quando é voltada para publicidade, ainda mais de um jeito burro.

Então, recentemente fiz um exame de rotina e fui pesquisar sobre o procedimento. Logo o Google entendeu que eu estava doente mesmo sem eu estar. Olha, é um sentimento muito desagradável ver anúncios de remédios relacionados a algo ruim, só porque busquei no meu browser mais informações sobre um exame recomendado para milhões de mulheres com mais de 35.

Duvido que os anunciantes do Google gostariam de saber disso. Porque no final, as marcas só perdem quando ficam relacionadas a coisas negativas e sem relevância.

Outro exemplo.  Estava na manicure e busquei para ela no ClickBus o preço de um bilhete para uma cidade do interior de Minas que nunca ouvi falar. Quando encerrei a cotação e, claro, não comprei o bilhete, veio um e-mail: o que deu errado com sua compra?

Caramba!! Eu não queria comprar nada. A pesquisa sequer era para mim.

Penso que estamos numa era em o uso dos dados por essas empresas ainda é muito tosco e repleto de interpretações erradas. Estamos na pré-história de uma inteligência artificial que se desenha.

Não quero dizer com isso que sou contra anunciar no Google, nem no Facebook, mas muitas vezes fico em dúvida sobre o contexto onde os anúncios podem aparecer. Não existe nenhuma segurança para o anunciante (nem para o consumidor) quanto a isso.

Obs. Depois que este texto foi compartilhado no Twitter, o passarinho me indicou na timeline o seguinte artigo que, aliás, achei bem relevante: http://cio.com.br/tecnologia/2017/02/10/assistente-de-privacidade-para-android-impede-coleta-indevida-de-dados/

A rede social dos teens.

Faz um bom tempinho que o Musical.ly virou a febre entre a garotada.

Abri uma conta para acompanhar os vídeos da minha filha (10), que não passa um dia sem postar nada.

Mal acabou de publicar e já pede para eu dar like.  Ok, sou mãe coruja e até tento acompanhar tudo.

É impressionante como mexe no comportamento. Outro dia, no final de um filme no cinema, tocou uma música do Justin Timberlake que é um hit no Musical.ly. Quando vejo, minha filha escaptura-de-tela-2017-01-28-as-19-20-07tava fazendo uma coreografia de gestos.

Só que ela não estava na frente do celular, mas numa sala escura, cheia de gente. Foi quase automático, já incorporou.

Mas não é só para fazer caras e bocas que o Musically serve.

Semana passada ela começou a fazer filminhos de stop motion com recortes de desenhos. O resultado ficou lindo. Digno de like.

Os usuários do Musical.ly representam, filmam, dirigem, editam e estão criando uma nova linguagem em termos de redes sociais.

Eles não querem saber de Facebook. Muito lento e sem graça. O lance é criar vídeos, engajar, se divertir e inspirar amigos. Sem espaço para mimimi.

Pode-se dizer que é a rede social dos pré-adolescentes e adolescentes. Ou, também, de quem não saiu dessa fase que, segundo o Leminski, pode ir até os setenta.

quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta adolescência

vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito

então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência.

(paulo leminski)

 

5 estrelinhas para o Local Guides.

O Google nunca teve uma veia de social digna de nota. Sempre foi mais racional, mais engenheiro e suas plataformas não são exatamente a miss simpatia. Google não quer saber o que você está pensando ou sentindo. Ele quer saber o que você está buscando.

Busca está no DNA do Google.

Nesse sentido, acredito que ele criou um produto “social” promissor: o Local Guides, que funciona como um programa que traz pontos para quem colabora na plataforma do Google Maps.

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É assim: você dá notas para os estabelecimentos (de 1 a 5 estrelas), faz comentários, responde questões, adiciona locais, publica fotos e compartilha o que achou de um determinado lugar no Google Maps.

Assim, quando alguém busca algum lugar lá no Google, encontra não apenas nome, website, horário de funcionamento, mas também notas e comentários. Tudo isso feito de forma colaborativa.

Em se tratando de Google, imagine a força que isso tem.

Penso que essas contribuições dos usuários tem potencial para virar algo muito poderoso, já que expressam opiniões de usuários e consumidores de verdade.

O Local Guides faz muito bem aquilo que outros já tentaram, inclusive o Yelp e o Foursquare.

É um mundo em que as ferramentas de social começam a ajudar ainda mais nas decisões do consumidor, não apenas com um post passageiro, mas uma nota e um comentário que estarão fixados na maior plataforma de buscas do mundo.

A plataforma usa uma estratégia de “gamification” para incentivar a colaboração. Para mim, por exemplo, falta pouco para chegar no nível 3, mas se tivesse que dar uma nota para o Local Guides já seria 5 estrelinhas.

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O mais divertido é ver que o Local Guides está no Twitter e tem uma fanpage no Facebook. Não, não tem assim muitos seguidores, mas imagino que seja contra a natureza do Google investir em mídia nos concorrentes, né? = )

Já conhece a Li.st?

Li.st é uma nova rede social em que as postagens são em formato de listas. Sim listas, não listras. O slogan é ótimo e diz tudo: Li.st. Not for groceries. As listas podem ser desde as coisas mais legais que você comeu na semana até os 5 melhores apps que você conhece.

Vale tudo que for listável, divertido e interessante.

A rede social ainda é nova. E, pra variar, estou sozinha por lá. (rs)

Meu perfil tem foco em comida, um assunto que adoro e considero inesgotável.

Como as empresas poderão usar? Simples, criando conteúdos relevantes e criativos que caibam em listas. Exemplo. Uma marca de chocolates pode criar uma lista dos chocólatras mais famosos do mundo. Ou uma lista com os mais importantes produtores de cacau. E por aí afora.

O Li.st foi criado para mobile e permite fazer listas com ou sem imagens. Como não é uma rede essencialmente imagética, o texto e o conteúdo tem grande peso na conquista de audiência.

Quer ver minha lista sobre “Sabores memoráveis da feirinha Aizomê Ichiba”? Clica aqui.

O que ando fazendo…

Este blog já passou por várias fases desde que nasceu, mas o objetivo nunca mudou: ser um rascunho do que penso e um espaço para compartilhar algum conhecimento de comunicação. Às vezes, tudo fica quieto por aqui. Porque estou concentrada em meu trabalho, na minha vida pessoal e em outras atividades.

Recentemente, estive muito ocupada com projetos grandes e muitos legais para duas startups (Empodera.Vc e Sapiens) e para a Anjos do Brasil. Para as startups fiz a redação dos websites, dos e-mails das réguas de relacionamento e das apresentações em keynote. Para a Anjos, fiz o plano de conteúdo de social media e a redação para o novo website que vai entrar no ar em breve, com design de um parceiro incrível, a Aretha. Ao mesmo tempo, continuei envolvida com a Curaprox, para quem desenvolvo conteúdos e faço gestão das redes sociais há 3 anos (um case de sucesso que adoro).

Agora estou também fazendo mentoria para uma startup voltada para educação com base em Portugal, o Autonômicos, que tem como co-fundadores  o William Gama e a Karla Fabro.

Como também desenho, pretendo consolidar ainda mais essa atividade com a criação de um portfólio online em breve.

Enfim, é isso. Estou sempre fazendo coisas interessantes que nem parecem trabalho. Quando sobra tempo, escrevo aqui também.

 

As fotos de 1 dólar e o Instagram.

Li hoje uma dica para empreendedores de pequenas empresas que desejam abrir sozinhos um perfil no Instagram: “Se possível, contrate um banco de imagens – alguns oferecem fotos profissionais  por cerca de 1 dólar cada foto.”

Se isso já passou na sua cabeça, posso dizer seguramente: não, não faça isso!

Quem em sã consciência quer ver no seu feed aquelas fotos de mala-direta? Aquelas fotos com originalidade zero?

Jamais subestime seus seguidores. Eles sabem identificar uma foto de banco de imagem, mesmo quando não conseguem explicar isso tecnicamente.

Instagram é uma plataforma em que a imagem precisa contar alguma história e convencer que o instante é real. Além de bonita, precisa ser verdadeira.

Se você não sabe produzir fotos bacanas ou não tem que o faça, ou ainda não tem verba para um fotógrafo, avalie se essa plataforma faz mesmo sentido para sua marca. Talvez seja melhor esperar um pouco mais para usá-la ou partir para outra.

Veja também se o seu produto é sexy e tem apelo visual suficiente para estar no Instagram.

Muitos conseguem bons resultados na produção de imagens mesmo sem nunca terem fotografado profissionalmente, mas apenas seguindo o próprio senso estético, estudando o básico de luz, composição e fotografia.

É comum ver profissionais de moda, chefs de restaurantes e donos de outros estabelecimentos que, intuitivamente, descobrem a linguagem da plataforma e da própria marca.

Com o tempo, eles sentem o que funciona ou não. E fazem uma produção digna de muitos likes.

Dá trabalho? Sim. Exatamente como tudo que faz sucesso.

A radical transparência do conteúdo.

O site da Everlane é um dos mais bacanas que já vi e não é por causa do design, navegação ou fotos. É o conteúdo mesmo que tem tudo a ver com o posicionamento da marcaRadical Transparency: Know your factories. Know your costs. Always ask why.

  1. Pode ser uma blusa, uma bolsa ou outro produto. Você sabe quem é o fornecedor e a razão da escolha dessa parceria.
  2. Os detalhes do produtos estão ali em poucos bullets points. Tem dúvidas? Há um e-mail especial para contato.
  3. No mosaico de fotos minimalistas, há um ícone de play: surge um vídeo do produto onde havia uma imagem.
  4. Textos enxutos e amigáveis, mas sem falsa intimidade. Nada é desnecessário.
  5. Agora, o melhor: um infográfico discriminando os custos da peça e o preço final ao consumidor: “nós acreditamos que o consumidor tem o direito de saber quanto custou fazer este produto”.

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No site ainda tem um resuminho de como tudo começou quando Michael Preysman deixou de trabalhar com venture capital para abrir o próprio negócio e fazer algo diferente de verdade. Dá para perceber que ele conseguiu. Cool demais. A marca vende produtos básicos de moda com alta qualidade e já virou um fenômeno de vendas.

Palmas para o Spotify.

Raramente a gente vê por aí conteúdo relevante fazendo sucesso. É o caso do Spotify no Facebook. São posts  com textos gigantes (!!!) que falam coisas legais sobre artistas e bandas. Muitos likes, shares, comentários. Adorei. A cara do Spotify e dos fãs da plataforma. Tem um trabalho de execução relativamente simples com baixo investimento (não usa fotos incríveis), com base em um conteúdo significativo, novo e que desperta curiosidade. Fica como benchmark para quem acha que ninguém mais lê. Juro, até ver isso e mesmo sendo redatora, eu também estava acreditando nisso… Untitled design (2)

Novas Gerações x Velhos Meios.

Leiam, leiam. Este artigo sobre o comportamento da nova geração Z em relação a redes sociais é incrível. Uma moçada que não tem muita paciência com exposição, trolagem, mimimi, gente chata defendendo ideais políticos sem respeitar a opinião dos outros. Cansa, né?

Minha filha de 9 já mostra sinais de uma geração com outros valores: tem iPad desde os 4 anos, mas passa a maior parte do tempo se divertindo com brinquedos de verdade. Tem um iPhone que usa apenas para mandar mensagem para mim ou o pai quando precisa. Para ela a tecnologia é normal. Tem uma conta privada no Instagram (que usa pouco e eu monitoro), mas jamais mostrou qualquer interesse pelo Facebook. Considera a exposição excessiva coisa de gente que se acha. Ufa! Ama Minecraft, curte games e não tem fascínio por marcas.

Quando posto uma imagem dela no Pequena Gourmet, geralmente peço sua autorização.

(Talvez ela esteja fora da curva, mas nesse sentido as amiguinhas são parecidas de alguma forma. E olha que ninguém estuda na Waldorf… rs)

Então, como as marcas vão se relacionar com esses novos consumidores que já não estão nem aí para os meios atuais ou antigos (tudo velho para eles)? Quais plataformas novas vão surgir para envolver essas pessoas?

Ainda não refleti sobre isso e duvido que alguém já tenha a resposta. De qualquer maneira, é bom começar a pensar.

E você, tem alguma ideia de como vai ser?

“The chicest thing is when you don’t exist on Google. God, I would love to be that person!” (Phoebe Philo)

Social media e os layers da linguagem.

Dá para perceber claramente que muitas marcas e agências ainda tem dificuldade em compreender as dimensões da linguagem em social media.

Nesse ambiente, dois erros são comuns.

  1. não considerar a linguagem do meio: criar post como se fosse anúncio de revista ou jornal, replicando ideias de propaganda tradicional.
  2. não respeitar a linguagem da marca, que é tão importante quanto à linguagem do meio.

Apesar de ser uma ferramenta de publicidade, social media não funciona como propaganda tradicional. O que poderia ser uma capa da Archive ou ganhar um leão nem sempre é suficiente para virar alcance, engajamento, like, share ou qualquer coisa que seja objetivo da marca.

Então, o desafio de ser criativo e relevante ao mesmo tempo é ainda maior. Simplesmente porque as formas de pensar e as fórmulas antigas não funcionam mais.

É preciso testar e estudar com mais profundidade todos os aspectos da linguagem, usando fundamentos de branding, comunicação, tecnologia e novos meios.

Se o conteúdo é rei, pode acreditar: a linguagem é rainha-mãe.

Sobre a newsletter da Chanel.

Volta e meia recebo a newsletter da Chanel. Assim como tudo na marca, é mais uma referência de bom gosto e cuidados em todos os detalhes. Se você não assinou ainda, eu recomendo.

Ou vai perder a única coisa grátis da Chanel? = )

O que eu mais gosto é que, enquanto a página desce, a assinatura “Chanel News” fica estático, sobreponde-se a todos os textos e imagens e vídeos que vão aparecendo. E, acredite, não atrapalha em nada. Faz até muito sentido, porque Chanel continua sendo cool e chique porque não tem medo das delicadas transgressões (Karl Lagerfeld e sua estética punk chic estão por trás disso).

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Também gosto da simplicidade dos textos: curtos, objetivos, sem excesso algum.

O layout é limpo.

O conteúdo é interessante: o que a gente tem curiosidade sobre a Chanel é contado em textos, fotos ou vídeos. (A única razão para se ler uma newsletter é conteúdo relevante. Senão, fica aquele sentimento de spam.)

Quem trabalha com comunicação é obrigado a ter senso estético apurado e conhecer as melhores referências. Agora, neste mundo cada vez mais visual, isso também é recomendado para quem não trabalha com comunicação, mas tem um negócio e se preocupa com a imagem da empresa.

Referências (boas) ajudam muito. Não são para copiar (de preferência), mas para criar repertório e critérios.

Para receber a newsletter mais chic do mundo (e não dizer que é uma ferramenta ultrapassada de conteúdo, sem valor – como eu já cheguei a pensar), acesse o site e vá até o rodapé onde tem o link para se inscrever.

Os verdadeiros donos do Instagram.

Chegou o dia que todos usuários temiam: agora tem publicidade no Instagram.

Uns odiaram, outros não se importaram (como eu) e uma minoria talvez amou… vai saber. O que é interessante: o Instagram avisou que isso iria acontecer e que as imagens teriam uma curadoria para não “poluir” a plataforma. Uma preocupação muito justa, por sinal.

Em um dos primeiros anúncios, o que ficou visível nos comentários foram as reclamações. Algo normal, considerando que há tanto tempo o Instagram é como se não tivesse donos, ou que ele pertencesse apenas aos usuários. O fato é que existem donos, sim (um deles é o Facebook), e que eles tem a sede natural de qualquer um que coloca no ar ou compra um aplicativo por (bi) milhões.

“Não existe almoço grátis” é uma frase antiga, mas verdadeira.

As tecnologias mudam, surgem inovações, mas qualquer um que abre uma startup sonha com o grande dia de ficar bilionário, vendendo alguma coisa ou sendo comprado. E, mesmo sendo comprado, alguma coisa vai ter que justificar e pagar essa compra.

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Agora é assim. Nem em seriado se lança startup sem website.

Sou fã demais do seriado Silicon Valley, da HBO. Enquanto a próxima temporada não vem, os fãs podem se contentar em visitar o site da Pied Piper, a startup em torno da qual gira a história. Obviamente, um site bem atual, simples, daqueles feitos com template que até a Lígia consegue customizar. Dê uma olhada. E se quiser saber mais sobre o seriado, leia minha resenha sobre o mesmo no Medium.

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http://www.piedpiper.com

Tendências que você encontra no website da minha empresa.

1. Comprei um template para customizar. Custou menos de U$ 100 com domínio e hospedagem incluídos.

2. O template pronto vem com design “responsivo”: automaticamente se adapta para celulares e tablets. Li uma pesquisa que sugere que 57% dos consumidores não indicam uma empresa que tem um site ruim no mobile. E 85% deles acreditam que um site mobile deve ser melhor que um site visualizado no desktop.

3. Scroll infinito surgiu há algum tempo com força total. Por causa dos equipamentos touch, usar o scroll é mais natural e intuitivo que clicar.

4. O flat design dá uma impressão incrível de limpeza e funciona bem no design responsivo. 68% das pessoas dizem que veio para ficar, enquanto 8% acha que é uma moda passageira. E você? O que acha?

5. O layout simples e minimalista direciona os usuários para as informações relevantes. Dizem que 90% das informações captadas pelo cérebro são visuais. Então, qual a função do redator? Criar textos enxutos e diretos ao ponto. Algo nem sempre tão fácil, já que o poder de síntese requer habilidade e técnica. Redatores bons não cobram por lauda, mas pelo texto que conceitua, valoriza, descreve e vende bem um produto ou serviço.

6. Outra tendência é o uso de tipologias que expressem a personalidade das marcas. São elas que dão o tom e a maneira de uma página. Ao comprar os templates, as opções de fontes são inúmeras, desde as clássicas até as mais moderninhas. Obviamente, não é o estilo do designer que deve prevalecer. A identidade da marca vem antes de tudo.

Então, que tal visitar o meu site?

Steve Jobs e a embalagem do Leite Moça.

Meu marido fala que o Steve Jobs não era um cara tão bacana já que ele criou um monte de lixo no mundo: as embalagens da Apple que, às vezes, impressionam tanto quanto o produto. Servem mais para criar um sentimento do que para embalar. São lindas, perfeitas, cheias de traquitanas, usam papel top de linha, mas nada sustentáveis porque logo perdem a função e vão para o lixo.

A mesma coisa acontece com a Nespresso. As caixas de café são tão bonitas que sempre sinto pena de abrir, mas, ainda bem, no final a vontade de tomar café sempre vence.

Esse magnetismo pela embalagem aconteceu comigo ontem, quando no supermercado esbarrei em outro produto da Nestlé: o Leite Moça, que finalmente, aleluia, ganhou nova embalagem.

Digo aleluia porque a anterior me lembrava uma estatueta estatopigea – aquela que representava a fertilidade feminina na Grécia antiga por meio de mulheres gordinhas. Quando via a latinha, pimba, eu lembrava direitinho o que acontece quando alguém consome Leite Moça… e não comprava.

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A embalagem atual vem em duas versões, uma mais linda que a outra. A de papelão é meio vintage. A outra é em lata mesmo, também mais fina e clean. Não é um desbunde como as embalagens da Apple ou da Nespresso, mas convence pela simplicidade.

Dá para dizer que os designers literalmente acertaram na lata.

Pela primeira vez, tive a sensação de que Leite Moça não engorda. Especialmente se eu deixar a embalagem (fechada) apenas para apreciação. rs

Ello. O que achei francamente.

• Uma rede social para designers, diretores de arte, nerds, fotógrafos, artistas plásticos…

• Não é 100% intuitiva.

• Blasé.

• Se acha.

• Monótona no momento.

• Silenciosa, por enquanto.

Vamos ver, né?

Se alguém quiser convite, avise aí. Não aguento mais tanta solidão na minha timeline… rs

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Um case real de sucesso em social media.

Todos os dias encontro incontáveis artigos dando dicas, passos, fórmulas para as marcas bombarem em redes sociais. Bobagem, tudo bobagem. Ainda mais porque vem de “gurus” que jamais criaram conteúdos ou administraram uma página. Meu cliente Curaprox é um exemplo real, na prática, de sucesso. Há cerca de um ano, quando comecei a criar conteúdo para o Facebook, havia 700 fãs. Com investimento relativamente baixo, a conquista de público qualificado foi incrível: hoje estamos completando a marca de 100 mil seguidores. Mais importante que isso é o resultado que não se compra: os fãs comentam (principalmente perguntando onde se compra o produto e elogiando a marca), compartilham muito e curtem as publicações. É normal ultrapassar 400 ou 600 likes sem patrocinar a postagem. Com patrocínio, pode chegar a quase 4 mil. Um resultado significativo inclusive para marcas com grandes verbas. Como? Não adianta falar, porque o princípio de tudo é não seguir dicas, passos, fórmulas.

http://facebok.com/curaproxbrasil

Mulheres invisíveis.

Saiu no Estadão esta semana, dia 23 de junho, uma matéria sobre  a baixa representatividade feminina na criação publicitária, especialmente nas lideranças. O texto fala que, nos Estados Unidos, somente 3% dos diretores de criação das agências de publicidade são mulheres. No Brasil, não deve ser muito diferente.

Agora por que tão poucas mulheres conseguem chegar na direção de criação ou se manter nessa função?

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